Santo Agostinho

 

 

Um coração inquieto narra a vida de santo Agostinho, mas não é uma narrativa de caráter doutrinário ou religioso, pois começa por contar a vida mundana e inquieta do homem que é tido como o Santo Doutor da Igreja Católica e sua busca pelo preenchimento dos vazios da alma. Aurelius Augustinus, mais conhecido como SANTO AGOSTINHO nasce em TAGASTE DE NUMÍDIA, província romana ao norte da África em 13 de novembro de 354; primogênito do pagão Patrício e da fervorosa cristã Mônica. Crianças alegres, buliçosas, entusiastas do jogo, travessa e amante da amizade, não gosta muito de estudar porque os mestres usam métodos agressivos e não são sinceros. Ante os adultos se revela como "um menino de grandes esperanças", com inteligência clara e coração inquieto. Nessa luta Agostinho vai contra o desejo da mãe (Mônica) que era católica de ver o filho convertido ao cristianismo que era sua religião, mas Agostinho é o homem comum cheio de vicissitudes. Ele passou a viver com uma mulher a quem foi fiel, tendo se tornado pai em 373, com apenas 19 anos. Seu filho, de nome Adeodato, morreria aos 17 anos.  Depois da morte do pai vai para Cartago e se mete num grupo de jovens baderneiros,  andou desorientado entrando na seita dos maniqueus, da qual participou por 9 anos e que também não conseguiu lhe oferecer uma verdade que lhe aquietasse a alma. Em sua busca afanosa vive longos anos com ânimo disperso. Estando em Milão, no seu horto; Uma canção infantil, na voz cristalina de uma criança que insiste “Toma, lê”, faz com que ele procure o livro a respeito de São Paulo e retorne em definitivo ao cristianismo, ficando de repente iluminada a sua inteligência com uma luz de segurança e satisfazendo o seu coração grande de jovem; era o outono do ano 386 ele contava com 33 anos. Agostinho começa a ensinar e busca a fama, sem muita preocupação o grupo buscava um mundo diferente, um mundo novo. Os amigos convencem Agostinho a viajar pra Roma, enquanto isso a mãe reza pela alma de Agostinho sem cessar, em Roma ele conhece o Bispo Ambrósio e aos poucos sua vida foi tomando novo rumo. Chega a ser brilhante professor de retórica em Cartago, Roma e Milão. Deixando a docência, retira-se a Cassiaco, recinto de paz e silêncio e põe em prática o Evangelho em profunda amizade compartilhada: vida de quietude, animada somente pela paixão à Verdade. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento em Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio.  Sua vida daquele momento em diante seria meditar, escrever livros, discursar. Em 391, é chamado a Hipona, um grande centro comercial de cerca de 30.000 habitantes. Cinco anos depois seria sagrado bispo auxiliar de Hipona. Consagrado BISPO DE HIPONA - título de serviço e não de honra - converte a sua residência em casa de oração e tribunal de causas. Inspirador da vida religiosa, pastor de almas, administrador de justiça, defensor da Fé e da Verdade. Prega e escreve de forma infatigável e condensa o pensamento do seu tempo. Grande era a luta, à época contra as chamadas heresias. As palavras que mais aparecem em seus escritos são amor e caridade. Por vezes, desenvolvendo uma idéia interrompe seu raciocínio para deixar escapar gritos de amor a Deus: “Ó Senhor, amo-Te. Tu estremeceste meu coração com a palavra e fizeste nascer o amor por Ti. Tarde Te amei, ó Beleza tão amiga e tão nova, tarde Te amei... Tocaste-me, e ardo de desejo de alcançar a Tua paz”.Santo Agostinho - se defrontou com dificuldades para conciliar a criação da alma com o “pecado original”, não sabia explicar como a alma, criada por Deus, podia nascer com o pecado original. Para Santo Agostinho, cada indivíduo possui uma alma, sendo-nos impossível saber a sua origem, porque é um mistério divino. Depois que surge, continua a existir eternamente. Daí a sua crença na imortalidade. Imaginava que a alma poderia ser feliz ou infeliz na eternidade, dependendo dos atos praticados nesta vida. “Aquele que se dispuser a estudar, profundamente, a questão da MEMÓRIA e, conseqüentemente, do TEMPO VIVIDO verá quanto é complexo tal estudo”; e não foi à toa que o importante filósofo SANTO AGOSTINHO chegou à conclusão dessa dificuldade ao proferir a sua célebre frase sobre o TEMPO, contida no Livro XI – item 14 de suas ”CONFISSÕES”. Em 429 os vândalos, guiados por Genserico atravessam o Estreito de Gibraltar e atacam o norte africano. AGOSTINHO "cercado com o seu povo" sente amargura e luto, alenta o ânimo de seus fiéis e os convida à defesa. No terceiro mês do assédio, aos 76 anos de vida, em 28 de agosto de 430, morre sendo cristão e alegrando o coração da mãe que tanto rezou pela conversão do filho. Esse espírito foi convidado a participar da equipe do Espírito da Verdade e suas ponderações podem ser encontradas em vários momentos da Obra Kardeciana, entre eles em O livro dos espíritos (prolegômenos, resposta às questões 495, 919 e 1009), O evangelho segundo o espiritismo (capitão III, itens 13 e 19; capitão V, item 19; capitão XII, itens 12 e 15; capitão XIV, item nove; capitão XXVII, item 23), O livro dos médiuns (capitão XXXI, dissertações de número 1 e XVI - Acerca do espiritismo / Sobre as sociedades espíritas). Agostinho inspira-se em Platão, e os problemas que o preocupam são de ordem moral:o mal, a liberdade, a graça, a predestinação. Santo Agostinho não separa razão, ajuda o homem a alcançar a fé; de seguida, a fé orienta e ilumina a razão;e esta, por sua vez, contribui para esclarecer os conteúdos da fé. Para Santo Agostinho, «o homem é uma alma racional que se serve de um corpo mortal e terrestre». O problema da liberdade está relacionado com a reflexão sobre o mal, sua natureza e sua origem. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se algumas comunicações deste insigne Espírito. São elas:Os Mundos de Expiações e de Provas, Mundos Regeneradores e Progressão dos Mundos (Cap. 3, 13 a 19),  O Mal e o Remédio (Cap. 4, 19), O Duelo (Cap. 12, 11 e 12), A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (Cap. 14, 9) e Alegria da Prece (Cap. 27, 23).  Em O Livro dos Médiuns há anotações sobre o Espiritismo (Cap. 31, 1) e Sobre as Sociedades Espíritas (Cap. 31, 16). O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, em uma de suas comunicações enfatiza: Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo; ele se manifesta quase que por toda parte. Como muitos, ele também foi arrancado do paganismo. Em meio de seus excessos, sentiu o alerta dos Espíritos superiores: a felicidade se encontra alhures e não nos prazeres imediatos. Depois de ter perdido a sua mãe, disse: “Eu estou persuadido de que minha mãe voltará a me visitar e me dar conselhos, revelando-me o que nos espera a vida futura”. A questão 919 do Livro dos Espíritos, que aborda o tema "Conhecimento de si mesmo", foi respondida pelo espírito Santo Agostinho. Indagado pelo Codificador sobre qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal, respondeu Santo Agostinho: "Um sábio da Antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”.E dissertou: "Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltar a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. (o restante da resposta pode ser encontrado no Livro dos Espíritos questão 919) Efetivamente, após tantos conflitos interiores, o bispo de Hipona busca esse auto-exame de seu passado, busca essa interrogação ou ironia socrática, questionando a si mesmo, não por alguma motivação exterior a si, mas antes como uma forma de amar e exaltar a Deus. Como amar a Deus plenamente sem uma libertação da própria consciência que se julga? Eis aqui a moral autônoma que nos ensina a pedagogia espírita, na medida em que o Espírito se autolegisla, visando uma libertação da sua própria consciência. Daí o papel decisivo da memória no processo de autoconhecimento, pois é na memória que eu me encontro comigo mesmo, escreve Agostinho, que me lembro de mim mesmo, as coisas que fiz, a época e do lugar em que as fiz, do que sentia ao fazê-las.Vemos assim a trajetória de Agostinho, um homem que amou e sofreu, conheceu o tormento da dúvida e do remorso, que conheceu todas as situações limite que caracterizam a condição humana. Ao mesmo tempo revela-se no filósofo que escrevia com a alma ardente, um religioso que venceu a si mesmo, um Espírito fervoroso e apaixonado, cujo testemunho nos é um exemplo que nos ilumina, que nos aquece interiormente.

 

 

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