104 ANOS DO NASCIMENTO DE CHICO XAVIER

 

DIÁLOGO E REFLEXÃO

 

          O ensejo do Centenário de Nascimento de Chico Xavier, que – diga-se – tem se revelado apoteótico, na espontânea aclamação à sua Vida e obra, por todos os brasileiros, Odilon Fernandes e eu estivemos dialogando e refletindo, então...

— Pois é, meu caro Odilon – dsse eu –, sinceramente, eu não imaginava que Chico fosse tão amado assim... Esperava qualquer comemoração, por parte dos companheiros espíritas, pelo seu Centenário, mas nem tanto – a coisa extrapolou! Fico todo arrepiado só de tocar no assunto...

— Doutor – redarguiu descontraído –, nós sabemos que há o “dedo” do Mundo Espiritual Superior aí... A ordem veio de Cima, e o envolvimento também!

— Sim, a retumbante manifestação não foi encomendada pela turma lá embaixo! A mídia, quase sempre avessa à Doutrina, se rendeu ao valor de um homem extraordinário, que extrapolou os acanhados limites a religião.

— Chico provou – e está provando – o valor da bondade...

— E não apenas da mediunidade! Concordo em gênero, número e grau, Odilon. Como você mesmo costuma dizer: ser médium é fácil; o difícil é ser bom!

— Chico merece, e a Doutrina também! O que me preocupa, Doutor, é que, com isto, a nossa responsabilidade aumenta...

— Consideravelmente!

— Criou-se uma exprectativa muito grande em torno do Espiritismo e dos espíritas.

— É aí que a coisa pega, meu caro! – exclamei, coçando a cabeça. – Tem muita gente achando que, doravante, é só a gente “entrar no vácuo”... Divulgar a Doutrina nos grandes veículos de comunicação, escrever e publicar livros, construir mai centros espíritas, realizar mais Congressos, partir para o Exterior e conquistar o mundo!

— Ah, quem nos dera, fosse assim! Quem “entra no vácuo”, Doutor – brincou Odilon –, é carro de corrida...

— A gente está mais propenso a “entrar pelo cano”, não é?...

— Se continuar pensando dessa maneira, em minha opinião, a hora agora, mais do que nunca, é a do exemplo!

— Odilon, nos tempos da Guerra de Troia, você deve ter sido a encarnação de Páris... Não perde a pontaria, ou melhor, a mania de achar que todo o mundo é Aquiles com o frágil calcanhar à mostra! 

— Convinha não comemorarmos muito, Doutor – as homenagens estavam sendo prestadas a Chico, e não a nós, que ficamos com a obrigação de, à custa de muito suor, levar o estandarte da Causa adiante.

Fez uma pausa e prosseguiu pensativo:

— Não nos esqueçamos de que já vimos esse “filme”...

— O filme do Chico? – perguntei com ingenuidade. – Um sucesso de público e bilheteria!

— Não! Estou me referindo à turma que, há quase dois mil anos, recebeu Jesus em Jerusalém com cânticos e flores, para daí a poucos dias...

— Crucificá-lo!

— Exatamente. Passada, pois, a festa do Centenário, que procuremos agarrar a charrua com mais firmeza e, já que não podemos imitar o Chico na mediunidade e tampouco na bondade, tentemos imitá-lo na honestidade!

          — Ai! – gracejei, insinuando levar a mão à altura do outro pé. – Outra flechada certeira no meu calcanhar!...

 

Livro:  O Pensamento Vivo do Dr. Inácio

 

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