MATERIALIZAÇÕES DE CHICO XAVIER

 

 

NO CAMPO DA MATERIALIZAÇÃO

 

          Materialização com Chico [Xavier] atinge culminâncias sublimes!

          Numa das noites em que fomos convidados a um trabalho dessa natureza, e que chamamos de superincorporação, dirigimo-nos com o pequeno grupo de amigos até a casa de André, irmão do médium, em Pedro Leopoldo.

          Preparado o ambiente, com portas e janelas completamente cerradas, revestidas ainda de cobertores para uma penumbra completa, o toca-discos reproduzindo tênue melodia, ouvimos uma voz pedindo que falássemos:

          - A palavra articulada, tocando assuntos nobres, auxilia a ambientação.

          Postamo-nos ao lado de André.

          Incumbimo-nos de desenhar as materializações ocorridas, para exibí-las, mais tarde, ao Chico, já que, pela sua posição de medianeiro, não lhe era possível vê-las, no curso de sua realização.

          José Gonçalves Pereira, que aceitara sustentar o comentário, discorria sobre os lances exemplificadores do Senhor Jesus, quando vimos, numa fresta da porta do dormitório daquele lar, uma luz intensa a irradiar-se.

          A porta abriu-se.

          A luminosidade fulgurante espraiou-se pelo cômodo em que nos congregávamos e, no seu centro de claridade, estava um Espírito. Era uma senhora de idade, trazendo na mão uma joia fosforecente que a clareava com abundância.

          Estava envolta em véus.

          André informou-nos:

          - É Cidália, minha mãe e segunda mãe de Chico.

          A entidade percorreu o recinto, distribuindo ânimo e paz a quantos ali se encontravam e, após, retirou-se.

          Um onda de perfume chegou até nós.

          Um Espírito alto, elegante, trazendo junto ao coração uma flor-de-lis luminosa, vestida em tecido vaporoso, cumprimentou aos mais próximos e encaminhou-se para o lado de Gonçalves, envolvendo-o com tocante ternura.

          - Mamãe! - prorrompeu Gonçalves, emocionado.

          - Meu filho! Cuidado, meu filho! Não nos emocionemos para que o trabalho não se desequilibre.

          Recompuseram-se, entre lágrimas de afeto.

          Ela se demorou dialogando com o filho, encarecendo-lhe a tarefa a que se entregava, no campo assistencial em São Paulo, e, depois, retirou-se.

          Nova onda de perfume.

          Outro Espírito elegante, envolto numa roupagem belíssima, trazendo numa das mãos, uma estrela luminosa e noutra uma rosa igualmente fulgurante.

          Era Meimei.

          Saudou os amigos e, aproximando-se de onde estávamos, despojou-se da flor, confiando-a às nossas mãos trêmulas.

          Pousando a destra em nossa fronte, a epiderme recebeu uma banho da mais sublime essência, em tal intensidade que sentíamos a branda umidade por todo o nosso corpo.

          - Pedimos - disse Meimei, com sua delicadeza - que a pessoa necessitada se coloque no meio da sala.

          Um jovem, enfermo do pulmão, deslocou-se com sua cadeira e Meimei, após distanciar-se por segundos de nosso campo visual, retornou trazendo na braço direito uns como que cordões fosforescentes, aplicando-os no assistido.

          O organismo absorvia aqueles elementos.

          Transcorridos alguns minutos da ausência de Meimei, aparece um Espírito de expressão austera e nobre. Sua roupa, uma toga romana de tonalidade azulínea, e, no peito amplo, uma via láctea com miríades de estrelas tremeluzindo com invulgar fulgor.

          Nas mãos, uma tocha representando a fé.

          Não se dirigiu a nenhum de nós em particular.

          Colocou-se num dos ângulos de onde alcançava a todos os participantes daquele extraordinário acontecimento mediúnico e, com voz altissonante e grave, ponderou:

          - Amigos, o que acabastes de ver e de ouvir, representa maiores responsabilidades sobre os vossos ombros.

          Abriu-nos os horizontes da alma, descerrando os panoramas do trabalho na Seara do Senhor, onde deveremos operar sempre, mesmo sob o guante da dor e dos mais amargos sofrimentos.

          Era Emmanuel.

*

          Não bastasse aquele inolvidável encontro, em que tínhamos visto desfilar os mais nobres e afetivos Espíritos, empenhados na contrução espiritual da Pátria do Evangelho, vivemos, algum tempo depois, outro raro instante.

          Bissoli, Gonçalves, Isaura, entre outros, compunham a equipe de beneficiados, agrupando-se numa das salas da casa de André, tendo Chico se retirado para o dormitório do casal, onde permanceria no transe mediúnico.

          Uma onda de perfume.

          Corporifica-se Scheilla, loira e jovial, falando com o seu forte sotaque alemão - língua exercitada em sua derradeira romagem terrena.

          Bissoli estabeleceu o diálogo.

          - Eu me sinto mal - diz Bissoli.

          - Você - informou Scheilla, graciosa e delicada - come muita manteiga, Bissoli. Vou tirar uma radiografia de seu estômago.

          A pedido, nosso companheiro levantou a camisa.

          O Espírito corporificado aproxima-se e entrecorre, num sentido horizontal, os seus dedos semi-abertos sobre a região do estômago de nosso amigo. E tal se lhe incrustassem uma tela de vidro no abdomem, podíamos ver as vísceras em funcionamento.

          - Pronto! - diz Scheilla, apagando o fenômeno - Agora levarei a radiografia ao Plano Espiritual para que a estudem e lhe deem um remédio.

          Substituindo Scheilla, entrou na sala uma entidade de extrema humildade, vestida na mais comovedora e constrangedora pobreza, com seus pés espalmados no solo, descalços.

          Era Auta de Souza.

          - Joaquim - chamou-nos num murmúrio de brisa cândida - como vai nossa Campanha?

          Quase nem pudemos respondê-la, tal a comoção que nos assaltava ante o quadro da mais singela e natural humildade, que externava aquele Espírito operoso.

          Finalmente, ultrapassamos nosso mutismo.

          Saindo Auta de Souza, a voz de quem dirigia o trabalho se fez ouvir, da Espiritualidade:

          - Agora, peço aos nossos amigos que abram a porta, para ver o médium.

          Atendemos.

          Descerrada a porta, encontramos o ambiente todo iluminado e Chico permanecia deitado, atravessado na cama, inanimado. De seu peito, no local do coração, um esfusiante foco de luz se lançava ao espaço e, em letras douradas, se escrevia a palavra: AMOR.

          Esse período de materializações e efeitos físicos na mediunidade de nosso Chico perdurou por dois anos, de 1952 a 1953, depois dos quais a palavra paternal de Emmanuel comunicou ao grupo que semelhantes manifestações haviam sido vedadas, a benefício da obra do livro mediúnico... Nosso caro Chico deveria restringir-se ao uso das próprias forças na psicografia somente... Isso - disse-nos Emmanuel - porque a mediunidade do companheiro precisa estar empenhada em outro tipo de materialização - a materialização do pensamento de nossos Instrutores da Vida Maior.

          Das informações, porém, que forneço quanto às nossas inesquecíveis reuniões de Pedro Leopoldo, no tempo referido, vários amigos podem igualmente dar testemunho, autenticando-nos as recordações.

 

Joaquim Alves

 

Livro:  Chico Xavier - 40 Anos no Mundo da Mediunidade

Roque Jacintho

Editora Luz no Lar

 

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