CURAS

 

 

Dentre as aflições que visitam o ser humano durante a experiência evolutiva, as enfermidades assumem proporções expressivas, em se considerando a fragilidade da maquinaria orgânica que lhe serve de domicílio, assim como as condições morais e espirituais em que estagia.

Face ao desconforto proporcionado pelas doenças, há um anelo natural e quase obsessivo pela conquista da saúde, através da qual o sofrimento ceda lugar ao equilíbrio das energias e, por consequência, se consiga a ambicionada felicidade.

Acredita-se, equivocadamente, que a ausência das enfermidades produz a plenitude, sem que se dê conta dos diversos fatores indispensáveis para a instalação da mesma.

Não poucas vezes, quando se está com o organismo em equilíbrio relativo, busca-se o prazer desenfreado e o desgaste desnecessário da organização psicofísica, utilizando-se equivocadamente das funções para o imediato desfrutar dos favores que decorrem das sensações.

A imaturidade psicológica responde pelo desconhecimento do que realmente é plenitude, estabelecendo paradigmas que não correspondem à sua realidade.

A questão fica, portanto, a exigir nova óptica de entendimento a respeito da vida e dos seus objetivos, que se ampliam além das necessidades do ser biológico, para alcançar o Espírito como entidade predominante no arquipélago material em que momentaneamente transita.

A causa de todos os acontecimentos na esfera da existência humana se encontra no passado do próprio ser, seja o recente ou o mais remoto, já que ele é o construtor da sua realidade por meio dos pensamentos que elabora, que verbaliza e que transforma em ações.

A simples cura dos efeitos ou suspensão deles de forma alguma produz o resultado esperado, já que novos distúrbios se apresentam e passam a expressar-se em forma de desconforto e sofrimento.

Somente a erradicação dos fatores causais consegue a real mudança do quadro de acontecimentos na esfera do bem-estar humano.

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Há portadores de enfermidades graves que se sentem tranquilos, enquanto outros indivíduos, que desfrutam de saúde e harmonia orgânica, debatem-se em problemas outros que se lhes apresentam como provações de difícil condução.

O ser humano é muito complexo e suas necessidades são mui diversas. Aquilo que para alguém é ventura, para outrem, não passa de realização de pequena monta.

Desse modo, a preocupação real deve centrar-se na busca da equação dos problemas que respondem pelos acontecimentos que têm lugar na esfera do comportamento pessoal. A resposta para o desafio somente se encontra na conscientização das responsabilidades que lhe cumpre realizar, durante o processo de crescimento interior.

Compreende-se que o enfermo procure a recuperação da saúde; no entanto, faz-se-lhe indispensável que se aplique à manutenção do quadro dos valores morais que lhe são fundamentais para a preservação da mesma. Ademais, encontrando-se em condição de endividado espiritual perante as Leis que regem a existência humana, é-lhe exigido um esforço para erradicar as causas geradoras das doenças.

A busca desenfreada de soluções mágicas torna mais difícil a aquisição do equilíbrio – sejam elas as que decorrem da Medicina acadêmica ou homeopática, assim como das alternativas, entre as quais podemos incluir as de origem mediúnica – gerando ansiedade e perturbação.

Mesmo quando, por uma ou outra razão, se consegue modificar o quadro orgânico, atenuar os efeitos das doenças ou alterar o quadro das aflições para melhor, se não houver uma consciente conquista de valores éticos, passa-se de um para outro estado de desespero, sem que a saúde real se estabeleça.

O indivíduo tem deveres para consigo mesmo que não pode desconsiderar, quais sejam: disciplina mental, moral, educação dos instintos, autotransformação, burilamento das tendências que permanecem como atavismos das experiências anteriores, cultivo das ideias felizes, atividades de enobrecimento pessoal e social, trabalhando arduamente para modificar as estruturas da comunidade onde vive mediante a própria renovação.

As enfermidades têm um caráter educativo. Somente ocorrem quando o indivíduo necessita de um corretivo, de reflexão ou oportunidade para ensinar aos demais como enfrentar dificuldades com os olhos postos nos ideais relevantes.

A dor-provação constitui resgate para o Espírito. Há, não obstante, a dor-lição de vida, aquela que assinala os grandes vultos da humanidade, que já não estariam sujeitos ao impositivo dos ressarcimentos.

Jesus é sempre o exemplo máximo, porquanto sofreu sem ter qualquer compromisso com a retaguarda.

Seguindo-Lhe as pegadas, Francisco, o pobrezinho de Assis, é igualmente outra demonstração de sofrimento por amor, confirmando que a fibra moral não se enfraquece quando as dores se expressam; antes, mais se revigoram.

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A lógica e a razão propelem o ser humano a buscar alívio para as suas enfermidades, lutando em favor da cura que lhe acena alegria e paz, no entanto, torna-se indispensável não ser esquecido o impositivo da transformação moral, a fim de que nada venha a acontecer de forma que lhe piore a situação.

O Mestre, sempre que auxiliava os enfermos do corpo como da alma, tinha o cuidado de os advertir que não voltassem a pecar, assim evitando o retorno da aflição com maior carga de desencanto e desgaste.

O ser humano está fadado à glória estelar. Atingí-la, depende exclusivamente do empenho que de si se exija, não desfalecendo, e tendo sempre em mente que a conquista do planalto é sempre mais difícil do que a descida ao abismo.

A cura verdadeira, portanto, decorre do esforço que o paciente envide para recuperar-se do débito, adquirindo valores novos que o defendam de futuros sofrimentos, o que nem sempre ocorrerá durante a sua atual vilegiatura carnal, se tiver em conta que a sua enfermidade possui um caráter expiatório, desse modo, um impositivo compulsório para a autossuperação.

 

5 de junho de 1997

Campinas (SP)

 

Livro:  Sendas Luminosas

            Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis

 

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