A ARTE NO ESPIRITISMO

Marcos Paterra

 A arte no espiritismo é um tema o qual nos remete a um mundo novo e complexo elaborado e/ou intuído pelos espíritos. Em O Livro dos Médiuns[1] encontramos que o gosto pela arte é intuitivo e leva o homem a busca de inspirações.

     Vamos nesse artigo mostrar um pouco das variedades de artes e alguns dos médiuns que a usam (ou usaram) no meio espírita. Antes de tudo  devemos entender o que é “Arte[2]”, sua definição mais simples seria de uma atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra. A arte possui grande variedade de meios e materiais, como a pintura, a escrita, a música, a dança, a fotografia e etc; sobre esse prisma a arte no espiritismo é aquela que foi idealizada total ou parcialmente por um médium em contato com espírito(s).

     No espiritismo ao se falar em arte, seria impossível não citar nomes de ícones como Léon Denis, Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira, Dora Incontri, Yvonne Pereira, Carlos Bacelli, Eurípedes Küll e tantos outros que através da à arte da escrita, nos brindando com livros maravilhosos, dando evidencias das famosas “Psicografias”[3].

     Os livros e artigos tão conhecidos no espiritismo, são obras que corroboram com o Movimento Espírita desde os primórdios a exemplo temos o Sr. Thomas P. James (1873), um humilde operário que psicografou a conclusão de o romance inacabado “O Mistério de  Edwin Drood” de Charles Dickens[4](1812-1870),dessa forma pode-se dizer que Thomas P. James foi o precursor do fenômeno líteromediúnico;  outro caso que podemos exemplificar é o de  “Raymond”, filho do cético pesquisador psíquico, sir Oliver Lodge[5], que morreu na Primeira Guerra Mundial (1915), mas transmitiu diversas mensagens   através da médium Glads Osborne Leonard (1882-1960) , que fez a famosa obra “Raymond” traduzida por Monteiro Lobato[6].

     Outro caso nos fenômenos psicográficos é o de Fernando de Lacerda[7] (1865-1919), que escrevia, em prosa e em verso, intuído pelos escritores clássicos de Portugal, em 1908 lançou seu primeiro livro: “Do País da Luz” que logo tornou-se um Best -Seller”.

     Na arte escrita, temos também  os pesquisadores como: Camille Flammarion (1842-1925), Gabriel Delanne(1857-1926), Carlos Torres Pastorino (1910-1980), J. Herculano Pires (1914-1979), Euripedes Küll[8], Jorge Andréa,[9] e tantos outros que contribuem como norteadores de estudos na área filosófica e cientifica da Doutrina Espírita.

     Na musica, temos diversos artistas que usam da mediunidade para divulgar a doutrina espírita, como exemplo recente podemos citar meu amigo Merlânio Maia[10], o qual faz sucesso em todo o Brasil com suas poesia e musicas.

     Retroagindo no tempo, temos a médium inglesa Rosemary Brown (1916-2001), conhecida pela  psicomusicografia, deixando vários volumes de partituras originais com estilo próprio de  compositores  ilustres já falecidos  há muitas décadas como Frédéric Chopin (1810-1849), Franz Liszt (1811-1886), Ludwig van Beethoven (1770-1827).

     Ao se falar em arte no espiritismo é essencial  falar de Psicopictografia[11], onde se destaca Luiz Antonio Gaspareto[12] que desde os treze anos  faz eximias pinturas com as mãos ou com  os pés, além de Gaspareto outros médiuns Psicopictografos mostraram sua arte : Madge Gill (1882-1961)  Raphaël Lonné (1910-1989)  Hélène Smith (1861-1929)  - Laure Pigeon (1882-1965).

    Mantendo esse foco damos ênfase ao senhor Augustin Lesage (1876-1954), um minerador simples de quase nenhuma cultura; uma noite de 1911, tinha 35 anos, enquanto trabalhava no fundo da mina, muito assustado, ouviu uma voz que lhe anunciava: “Um dia serás pintor!”. No ano seguinte iniciou-se no espiritismo, participando em sessões mediúnicas. No decurso de uma delas, numa presença que atribuiu à pessoa da sua falecida irmã Maria que falecera com três anos, começou a executar desenhos automáticos. Dessa vez foi por escrita automática, e por sua própria mão, que recados começaram a ser-lhe entregues: “As vozes que ouviste falavam a verdade: um dia serás pintor”.

     Lesage passa a pintar e em 1927 foi convidado pelo Dr. Osty[13] do “Instituto Metapsíquico Internacional”, a apresentar-se defronte de personalidades ligadas ao meio científico com o objetivo de estudar os fenómenos paranormais.
     Augustin executou uma tela de 2m por 1,5 metros e deu início a uma outra de tamanho menor. Dos encontros realizados entre os dois, o Dr. Osty realizará um estudo que foi publicado pela primeira vez em 1928 na “Revista Metapsíquica”. Em 1935, Lesage  recebeu  a medalha de prata  da exposição Artesanal de Auchel e em 1937 ao viajar para a Belgica e Marrocos(1938) recebeu a Palmas Academicas e logo foi convidado a expor em Londres.

     Uma das primeiras referências de como o espiritismo pode apreender com a  arte  está na Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos[14], em sua edição de dezembro de 1860, a Revista informa que, em um dos encontros da Sociedade de Estudos Espíritas realizado no dia 23 de novembro daquele ano, o espírito de Alfred de Musset, tendo como médium a senhorita Eugénie, espontaneamente se disponibilizou a responder quaisquer questões dos presentes.

     Aproveitando da boa vontade do Espírito de Alfred de Musset, foram-lhe dirigidas as perguntas seguintes:

     “1. Qual será a influência da poesia no Espiritismo?

R. A  poesia é o bálsamo que se aplica sobre as feridas; a poesia foi dada ao homem como um maná celeste, e todos os poetas são médiuns que Deus enviou sobre a Terra para regenerar um pouco o seu povo, e não deixá-los embrutecer inteiramente; porque, o que há de mais belo! O que fala mais à alma do que a poesia!

     2. A pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia foram alternativamente influenciadas pelas ideias pagãs e cristãs; quereis nos dizer se, depois da arte pagã e da arte cristã, haverá um dia a arte espírita?

R. Fazeis uma pergunta que se responde por si mesma: o verme é verme, torna-se verme de seda, depois borboleta. O que há de mais aéreo, de mais gracioso do que uma borboleta? Pois bem! A arte pagã é o verme; a arte cristã é a crisálida; a arte espírita será a borboleta.” (KARDEC, 1860).



[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns Cap. XVI - Dos médiuns especiais. - Aptidões especiais dos médiuns. - Quadro sinóptico das diferentes espécies de médiuns

[2]  Arte: (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade)

[3] Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.

[4] Charles John Huffam Dickens, também  usa va o psiodônimo de  Boz no início da sua atividade literária, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana.

[5] Sir Joseph Oliver Lodge, cientista inglês (1851-1940), foi Professor de Física do Colégio Universitário de Liverpool, diretor da Universidade de Birmingham e co-editor do importante periódico Philosophical Magazine.

[6] Monteiro Lobato (1882-1942): Contista, ensaísta, tradutor e escritor.

[7] Fernando Augusto de Lacerda e Mello A partir de Outubro de 1906, Fernando de Lacerda começa a receber diversas mensagens do plano espiritual, assinadas por escritores renomados e personalidades do mundo social, já desencarnados.

[8] Eurípedes Kühl , nascido em 1934, ¨Médium psicógrafo, escritor espírita., Palestrante espírita, responsável por vários cursos sobre Espiritismo, articulista e colaborador de vários órgãos de divulgação espírita.

[9] Jorge Andrea dos Santos, Nascido em 1916, em mais de meio século cruzou o país de Norte a Sul, fazendo palestras divulgando o espiritismo em seu aspecto cientifico.

[10] Merlânio Maia, Paraibano de Itaporanga, poeta, cordelista, músico, cantador, declamador e escritor.

[11] Psicopictografia, popularmente referida como pintura mediúnica, é,  uma manifestação mediúnica pela qual um espírito, através de um médium, se expressa por meio de pinturas ou desenhos.

[12] Luiz Antonio  Gaspareto: Nascido em  1949, Psicólogo, médium Psicopictografico, locutor.

[13] EUGÈNE OSTY : :médico neurologista, Vice-Presidente Honorário da Nacional Harry Laboratório de Pesquisas Psíquicas e Fundador e Diretor do IMI (Instituto de Metapsíquica Internacional) entre os anos de 1924-1938, sendo que atualmente ainda existente este Instituto em Paris.

[14] Publicação fundada por Allan Kardec, em Paris, no ano de 1858.

 

 

 

Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!